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O que são os Fab Labs?

12/01 | 0 Comentários


Laboratórios digitais ajudam comunidades a desenvolver novos produtos.
Entenda como eles funcionam

Em dezembro, a prefeitura de São Paulo inaugurou a primeira unidade da Rede Pública de Laboratórios de Fabricação Digital. O espaço conta com equipamentos como impressoras 3D, cortadoras laser, softwares de modelagem, fresadoras etc., e com professores e cursos que ensinam os alunos a usarem esses equipamentos.

O laboratório é parte de uma rede chamada Fab Lab Livre SP, que deve contar com 12 laboratórios espalhados pela cidade. O primeiro foi inaugurado no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes. Os laboratórios são uma novidade na capital paulista. No entanto, o conceito de “Fab Lab” existe há anos e vai ao encontro das ideias da “cultura maker”, que é o que tais espaços de inovação buscam promover. Entenda como funciona:

Labs estão alinhados à ‘cultura maker’

Muito mais do que equipamentos modernos, um Fab Lab é constituído por comunidades e espírito colaborativo. O nome é uma abreviação para “laboratório de fabricação” (em inglês) e o conceito gira em torno da chamada “cultura maker”.

Traduzindo ao pé da letra, um maker é um “fazedor” — alguém que põe a mão na massa. O movimento maker é o “em que as pessoas se apropriam de uma porção de ferramentas, equipamentos e conhecimentos ligados ao universo da eletrônica e robótica, junto com técnicas não digitais como marcenaria, artesanato e permacultura, para criar diversos produtos e ações” explica Gabriela Agustini, responsável pelo Olabi, laboratório maker no Rio de Janeiro, e co-organizadora do livro “De Baixo Para Cima“.

O trabalho de um maker pode ser para resolver algum problema imediato, criar um novo negócio ou simplesmente por hobby.

O impacto na comunidade

FOTO: JASON GESSNER/FLICKR (CREATIVE COMMONS)

Maker

PESSOA UTILIZA LABORATÓRIO MAKER

Um Fab Lab, ou qualquer outro laboratório de fabricação digital, pode impactar a comunidade onde ele está. Segundo Heloisa Neves, representante da Fab Lab Brasil Network, o impacto acontece por meio de empoderamento. Quando a população local tem acesso ao laboratório, as pessoas aprendem a mexer nas máquinas, e começam a concretizar suas ideias, elas podem sair dali com novos negócios e soluções.  

“Primeiro vem uma mudança de comportamento das pessoas. Elas param de esperar coisas e passam a empreender, inclusive nas suas vidas. Com o crescimento do laboratório e conhecimento técnico das pessoas, eles podem criar projetos que melhorem a vida na comunidade”

Heloisa Neves
Representante da Fab Lab Brasil Network

Gabriela concorda. Ela lembra que os laboratórios acadêmicos e privados também têm poder de impactar a comunidade, por meio do conhecimento compartilhado — base da cultura maker. “Pode trazer um olhar de autonomia para as pessoas, que a partir disso podem ficar um pouco mais livre para inventar e criar soluções para os seus problemas.

Somado a esse comportamento, e essa mudança de cultura você tem a possibilidade de aprender a mexer com uma série de ferramentas, dominar técnicas e aparatos que te permitem de maneira tangível fazer isso”, diz. Ela cita como exemplos a Wikihouse, uma casa completamente fabricada por equipamentos digitais, e o grupo de hackers que desenvolveu sensores para medir a poluição nas cidades. Ambas as ideias foram concebidas em laboratórios digitais.

Essa também é a ideia dos Fab Labs paulistanos. “Queremos mudar a cabeça dos jovens para que possam inovar e perceber a produção de outra maneira. Aqui será possível fazer desde um game até o protótipo de uma cadeira ou abajur. Nenhum município brasileiro tem Fab Labs como os que estamos inaugurando”, disse Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, na inauguração do Fab Lab de Cidade Tiradentes.

Conceito e compartilhamento

O termo “Fab Lab” é utilizado para descrever os espaços que participam da rede Fab Foundation.

A Fab Foundation é uma evolução de um conceito de laboratório criado em 2001 na universidade do MIT (Michigan Institute of Technology, em Massachusetts, nos EUA). É uma rede que conecta mais de 450 Fab Labs ao redor do mundo e os ajuda a trocar conhecimentos. No Brasil, quem responde à associação é a Fab Lab Brasil Network, representada por Heloisa.

Apesar de haver um padrão regido pela Fab Foundation, a rede não é exatamente uma marca registrada. “Qualquer um pode participar gratuitamente, desde que siga algumas regras, como abrir as portas à comunidade gratuitamente e uma vez por semana; compartilhar conhecimento com outros laboratórios da rede; e ter equipamentos específicos”, diz Heloisa.

No caso dos laboratórios da prefeitura de São Paulo, eles não participam da rede, apesar de usarem o nome Fab Lab. Heloisa diz que tem uma boa relação com a equipe da prefeitura, que há muito em comum com o que eles se propõe a fazer e com o que é o padrão da Fab Foundation. No entanto, o governo municipal não registrou seus espaços como Fab Labs.

Fonte: nexojornal

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